| Greve geral 1917 - Em Campinas |
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| Escrito por A Plebe Campinas |
| Qui, 02 de Julho de 2009 21:08 |
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Segue texto retirado do jornal A Plebe, Anno I - num 6 - 21 de Julho de 1917, onde relata a ação grevista e a repressão policial, como mortos e feridos. O relato é muito interessante porque coloca a ótica dos grevistas, na qual não houve nenhuma provocação por sua parte e que foram atacados de surpresa pela polícia. E aumenta o saldo de mortos oficiais de três para quatro (Antonio Rodrigues Magota). A FOSP seção Campinas e o grupo anarquista Fenikso Nigra homenageou estes martires da Greve Geral em Campinas com placas que resgatam nossa memória de luta operária. Ter conhecimento de nossa história passada de lutas torna-nos perseverantes nas lutas de hoje rumo ao um futuro de bem estar e liberdade, de explorados e oprimidos emancipados. ____________________________________________ Em Campinas Paralisação completa do trabalho – O barbarismo policial
Desde o inicio da greve, em São Paulo, que o povo e, particularmente o proletariado campineiro alimentavam forte sympathia pela justa causa do operariado paulistano. Assim é que, a todo o momento, se ouviam commentarios enthusiastas á acção dos grevistas. Dia 13, seguiu para essa capital o batalhão aqui aquartelado afim de, com as forças d'ahi, completar a obra infame já começada: massacrar o povo. O policiamento de Campinas ficou a cargo dos pedantes garotos da Linha de Tiro 176, que, desejosos de uma estréia auspiciosa, commeteram algumas e inúteis arbitrariedades. O operariado campineiro, querendo manifestar, de facto, a sua solidariedade aos companheiros de São Paulo, resolveu, no dia 16, declarar-se em greve e reclamar também um aumento de 20% nos seus salários. Nesse mesmo dia, cerca da 1 hora da tarde. Os operários da Companhia Mogyana, Mac Hardy e Lidgerwood, numa grande massa, percorriam as ruas da cidade quando, sem motivo algum, foram presos dois companheiros. Diante disso que representava uma revoltante arbitrariedade, os operários, precedidos de uma bandeira vermelha, symbolo das suas aspirações de justiça, encaminharam-se á autoridade policial, pedindo a liberdade dos dois camaradas. Arrogantemente, a autoridade negou que os mesmos achassem presos. No trajecto foram adherindo á greve os operários de muitos estabelecimentos industriaes. Cessou o movimento de bondes que, por alguns momentos deixaram de trafegar. O commercio fechou. Algumas horas depois adheriram ao movimento os operários de outras fabricas e officinas. Os obreiros campineiros, sempre com calma, dirigiam-se aos jornaes locaes, quando alguém alytrou a idéia de irem esperar a passagem do comboio que ia partir para São Paulo, onde talvez viajassem os presos. Com esse fim dirigiram-se para a porteira da Capivara, que aquelle trem deveria atravessar. De facto, o comboio apareceu momentos depois, sendo apredrejado por alguns moleques. Cruzando-se com o que vinha d'ahi permitiu que os esbirros das duas cidades se communicassem. E taes foram as communicações que d'ahi a pouco se consumava a pavorosa tragédia. O commandante da força, fazendo parar o trem em ponto que julgou estratégico, fez descer a soldadesca a qual, approximando-se, ás ocultas, da massa dos grevistas rompeu incontinenti a fuzilaria. Entre mortos e feridos notamos seis pessoas, victimas dessa polícia assassina que mata de emboscada operários pacatos e ordeiros com são todos os de Campinas. Entre os mortos figuram os companheiros Antonio Rodrigues Magota e Tito de Carvalho. Foi essa uma violência sem qualificação porque os operários não commeteram depravações nem desattenderam ás autoridades. Esse oficial que commandou o massacre deveria e mereceria ser lynchado, mas é certo que o capitalismo ladravaz vae certamente dispensar-lhe honrarias especiaes e talvez, amanhã, ostentando no braço um novo galão. Na terça-feira, 17, foi profusamente espalhando o seguinte boletim: “Companheiros! Sejamos unidos, para assim obtermos a vitoria dos nossos direitos. Não nos curvemos ante a prepotência dessa polícia sedenta de sangue. A polícia sanguinaria quer-nos privar de acompanhar hoje a última morada os despojos dos nossos companheiros. É uma iniqüidade, é um abuso. Satisfaze-la nesse seu proposito, é dar uma prova da nossa decadência, da nossa fraqueza. Portanto, operários não deixem de comparecer ao sepultamento dos nossos desditosos companheiros, marcado para hoje, ás 13 horas. Todos! Não nos esmoreça a brutal selvageria de hontem! - A Commissão – Campinas, 17 de jullho de 1917.” Nesse dia os operários de todas as typographias de Campinas adheriram á greve, reclamando aumento de salário. O enterro das vicitmas foi uma imponente manifestação de protesto do proletariado campineiro, que a ele compareceu em multidões. A Plebe Anno I – Num 6 – 21 de Julho de 1917 Texto digitalizado pela FOSP seção Campinas, mantendo a grafia da época. |
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