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Anarquismo e Sindicatos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edgard Leuenroth   
Sex, 26 de Fevereiro de 2010 21:48

Anarquismo e Sindicatos


É ilusão ver no sindicalismo uma solução revolucionária, mas é um apoio imprescindível para o processo de mudanças sociais profundas.

A estrutura sindical legal/oficial/reformista é constituído de maneira perversa que leva ao isolamento dos trabalhadores e até interesses opostos. O corporativismo, a organização fascista no meio do trabalho tornou-o extensão controlada do capitalismo. Portanto a nova sociedade não poder ser baseada nesse sindicalismo, mas sobre uma nova forma de organização que corresponda a uma outra realidade, libertária e igualitária, onde cada indivíduo tenha o mesmo valor como ser humano.

No Brasil, a ação sindical que era livre e combativa, baseado no sindicalismo revolucionário foi reprimido pelos governos da Republica Velha e no auge pela ditadura de Getúlio Vargas. Esse ditador fechou os sindicatos livres e impôs uma organização trabalhista autoritária, inspirada no modelo fascista italiano. Determinou para os sindicatos uma filiação compulsória aos órgãos do Estado, roubando-lhes dessa forma, a liberdade de ação e resistência revolucionária, uma marca reconhecida do anarco-sindicalismo brasileiro. Lembremos que o anarco-sindicalismo no Brasil foi a base para organização obreira, alavancando inúmeras lutas, desenvolvendo uma educação racional, assistência as famílias obreiras e na construção de inúmeras bibliotecas e espaços de cultura social.

O sindicalismo revolucionário embora perseguido durantes décadas, retorna nos anos 80, agrupando anarquistas na luta emancipatória dos núcleos pró-COB e denunciando o sindicalismo reformista/fascista/legal existente. Atuação geral dos anarquistas é de rompimento com o modelo legal e a formação de sindicatos livres e legítimos de nossa classe, de nossa gente.

O anarquismo estará onde nossa gente está, nos locais de trabalho, nas moradias, nas fábricas e campos, nas escolas, nas ruas e não podemos deixar que sejamos usados para justificar parcerias inexistentes com partidos políticos ou com sindicatos “legais/oficiais”. Não podemos nos submeter nos movimentos sociais as práticas autoritárias ou jogos políticos partidários. Temos a noção que a construção de um movimento social é com liberdade e não com submissão às idéias absolutistas da esquerda institucional ou vanguardista.

Nossa luta não é para sermos meros apêndices nos movimentos sociais como aliados de partidos e sindicatos, mas no avanço de um movimento emancipador em todos os espaços e áreas por todxs os anarquistxs, tendo como referência os princípios libertários.

Não podemos abandonar a luta sindical aos reformistas, autoritários, fascistas, aos partidos e esperar que eles sejam “nossos mecenas” como algumas supostas federações anarquistas escrevem. A luta sindical anarquista é resgatar as práticas do passado e romper com fascismo sindical atual.

É o que realizamos como anarquistas ao nos vincularmos a Federação Operária de São Paulo (FOSP) e a COB-AIT. Nada esperamos do sindicalismo “oficial”, fazemos nós por nós mesmos, na melhor tradição anarquista, formando núcleos sindicais revolucionários nos locais de trabalho, reorganizando a luta em moldes libertários de autogestão, federação, solidariedade, apoio mutuo e ação direta.

Avançamos, na construção do comunismo libertário através do sindicalismo revolucionário!

Última atualização em Sáb, 27 de Fevereiro de 2010 20:59
 


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